Os cães que conhecemos são descendentes dos lobos - o que muita gente discute é como parte deles se aproximou do homem e acabou domesticada.

Provável que lobos menos agressivos viram vantagens em ficar perto dos humanos para ganharem os restos da sua comida (carnes), e foram ficando, assim forjando a aliança que marca a relação entre ambos.

Não foi uma amizade com um começo fácil, mas era um jogo de interesses para ambas as partes.

As teorias apontam que alguns lobos andavam atrás dos homens para se aproveitarem dos restos de comida. Instintivamente eles perceberam que ao lado das tribos teriam alimento fácil e passaram a dividir o território. Com os lobos por perto, os homens viram que estavam mais protegidos de ataques de outros animais e permitiram a aproximação.

Com o tempo, os filhotes das gerações futuras dos lobos não caçavam mais sozinhos e tinham o homem como fonte de fornecimento de alimentos.

O advento do canídeos ao lado do homem inclusive apressou a extinção dos grandes animais gordurosos que haviam dado ao homem da caverna suas proezas físicas e resistência a doenças. 

O cão também teria ajudado o caçador a entrar em sua fase neolítica, reunindo ovelhas selvagens, gado e cabras e ajudando a mantê-las em rebanhos, para que sua carne e leite gordurosos estivessem disponíveis durante todo o ano. 

Quando deixaram de viver somente da caça e passaram a explorar a agricultura e a criar os animais que comeriam nas refeições, como ovinos e bovinos, os cães, descendentes dos lobos, passaram a pastores.

Era preciso cruzar somente os cães que tinham menos propensão de comer os rebanhos e eles passaram a trabalhar.

A humanidade seguiu evoluindo e o cão virou apenas um animal de estimação. Em sua maioria, integrantes da família, mas sem nenhuma função econômica. 

Pode não parecer, mas seu peludo é um carnívoro oportunista. O cão descende do lobo e compartilha com essa espécie 99,9% do seu DNA mitocondrial e embora os lobos também devorem frutas, raízes e gramíneas, se alimentam predominantemente de presas.

Os cães comiam dessa maneira antes da invenção dos alimentos processados para eles e eram notavelmente mais saudáveis, com expectativa de vida mais longa e menos doenças.

Cães são animais carnívoros e o mesmo tem sido dito a respeito dos seres humanos. O fato de podermos consumir outros alimentos, não significa que os de origem animal não sejam a melhor forma de nutrição ao corpo. Plantas de modo geral são alimentos de sobrevivência, consumidas na ausência de alimentos de origem animal e com observância da sazonalidade.

Quando os lobos e os seres humanos se aproximaram, foi a carne que os uniu, não o brócolis, nem migalhas de pão, tampouco a soja. O fato de cães e donos não estarem mais se alimentando desta forma só mostra o quão estamos desconectados de nossa real natureza.

Diferenças grosseiras na anatomia do homem, bem como dos cachorros em comparação com os animais herbívoros, tornam os primeiros incapazes de se adaptarem com êxito a uma dieta baseada em alimentos vegetais, particularmente grãos ricos em carboidratos e toda a gama de doenças modernas que assolam cães e donos decorrem do abandono das opções alimentares de seus ancestrais, baseadas principalmente em carnes. Os modernos alimentos servidos para ambos, sejam “rações humanas” ou caninas, apenas aceleram nosso declínio.

Embora existam algumas pequenas diferenças entre cães e humanos, existem muitas semelhanças nos problemas de saúde que enfrentam. Eles também sofrem de artrite, IBS, pancreatite, doenças autoimunes, doenças de pele, problemas hormonais, câncer, diabetes, obesidade etc.

Os cães também sofrem até mesmo mentalmente por comerem a dieta errada. Ingerir alimentos que causam inflamação pode levar à depressão, permeabilidade intestinal, doenças autoimunes, ansiedade, letargia etc.

Uma rápida olhada nos principais ingredientes de qualquer grande marca de alimentos para animais de estimação mostra que os principais ingredientes são: trigo, soja, milho e até xarope de milho, seguidos por uma longa lista de produtos químicos que não conseguimos soletrar ou pronunciar. 

A indústria tenta confundir alegando que os cães são onívoros, mas de forma enfática: isso não é verdade. Os ingredientes citados são utilizados pela indústria meramente por serem baratos. Cães são carnívoros oportunistas e alimentá-los predominantemente com grãos e vegetais está lentamente matando-os.

A quantidade de amilase (uma enzima que inicia a digestão do amido) na saliva do cão é quase insignificante e os canídeos apresentam intestinos delgados curtos, inadequados para a digestão de carboidratos complexos, como grãos. 

Os cães são capazes de digerir e aproveitar vegetais, como legumes e frutas, contudo toda a sua morfologia e metabolismo indicam que são animais carnívoros, preparados especialmente para uma alimentação natural crua com ossos.

Os alimentos de origem animal crus, são alimentos reais, nutricionalmente densos, que não precisam de vitaminas e minerais adicionais.

Ossos carnudos crus são como o esqueleto da presa que o cão selvagem abate e come. O esqueleto é formado por ossos, que fornecem cálcio e outros minerais, mas também por articulações, que são ricas em colágeno e condroitina. Dentro dos ossos há ainda gordura, medula e sangue e os ossos carnudos contêm também um pouco de carne, fornecendo também proteína, elemento tão valioso para os carnívoros.

O lugar de carboidratos como milho, soja, trigo (ingredientes de baixo custo amplamente empregados por fabricantes de ração seca) absolutamente não é na vasilha do seu cachorro.

A dieta que a natureza preparou o cão para consumir é pobre em carboidratos e rica em proteína, tendo consequentemente uma baixa carga glicêmica.

Um cachorro alimentado com ração à base de grãos é mais predisposto a ficar obeso porque esses alimentos têm uma carga glicêmica mais elevada. A ingestão de muito carboidrato faz o pâncreas secretar um monte de insulina, aumentando o risco de obesidade, diabetes e doenças inflamatórias.

Em contrapartida, uma dieta mais dentro dos moldes do que prescreve a natureza mantém a silhueta esguia muito mais facilmente e ainda previne o aparecimento de doenças.

Cães são projetados para o consumo de proteína e gorduras saturadas de origem animal, que são uma importante fonte de calorias e nutrientes, incluindo ácidos graxos essenciais.

A alimentação natural crua com ossos ajuda a prevenir e até a combater a doença periodontal, já que a mastigação dos ossos carnudos crus desorganiza a placa bacteriana e raspa o tártaro já formado. Ossos no seu estado natural – crus – têm sido a fonte de cálcio de canídeos selvagens de todos os portes e idades há milênios. 

A dieta também contém pouco carboidrato, um elemento que adere fortemente aos dentes, onde fermenta e leva ao aparecimento de gengivite e tártaro.

Alimentação crua significa comida não cozida; proteínas animais, carne, ossos, cartilagem etc. Ao tê-la crua, permanece na forma que os cães evoluíram para comê-la, mantendo uma variedade de bactérias potencialmente benéficas para o microbioma do cão, sendo mais fácil de digerir e tornando os ossos menos propensos a lascar.

As carnes fornecem predominantemente proteína, mas também vitaminas, ácidos graxos e minerais. Ovos e peixes entram nessa categoria, contribuindo com uma infinidade de outros elementos valiosos.

Não há como enfatizar o bastante a importância de fontes de proteína animal de alto valor biológico, como: ovos, carnes de frango, porco, boi, cabrito, rã, codorna, coelho, peixes etc – para a saúde dos cães.

Na alimentação natural crua com ossos, algumas vísceras também são oferecidas como se fossem carnes, tais como moela, língua, coração e bucho. Essas peças são musculosas, se assemelhando mais a carnes do que a miúdos como o fígado ou rim. E ainda têm a vantagem de serem mais em conta que carnes como músculo, peito de frango etc.

As vísceras, também conhecidas como miúdos ou órgãos, são uma indispensável reserva de vitaminas e minerais para carnívoros. A presença diária de um pouco de vísceras na dieta previne e corrige deficiências nutricionais e faz as vezes dos órgãos da presa que o seu predador de estimação abateria na natureza.

São exemplos de vísceras os seguintes órgãos, de qualquer animal: fígado, rim, baço, pulmão, cérebro, pâncreas. 

Para saber como alimentar de maneira correta o seu cão, procure um profissional de sua confiança e peça para ser orientado a respeito da “alimentação natural crua para cães”, pois esta é uma dieta evolutiva específica que se encaixa na biologia do cão; ajuda a diminuir a inflamação, melhora a longevidade, melhora a função mitocondrial, é acessível, fácil de digerir e também fornece todos os nutrientes essenciais específicos às necessidades de cada cão. 

Nota final: O conteúdo do texto é apresentado unicamente para fins de informação e não substitui em absoluto a orientação de um médico-veterinário. 

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19528637

https://yalebooks.yale.edu/book/9780300226164/first-domestication

https://digitalcommons.unl.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1379&context=usgsnpwrc

https://healthypets.mercola.com/sites/healthypets/archive/2013/04/01/raw-food-diet-part-1.aspx

http://www.nap.edu/openbook.php?record_id=10668&page=1

http://www.petcarenaturally.com/handouts/raw-food-diets.pdf